Um (até logo?) para uma amiga querida

02 junho 2015

Passei boa parte da minha infância curiosa com os adesivos dos cadernos das amigas da minha irmã. Eles colavam na pele e faziam uma tatuagem falsa, sabe? No maior estilo flash tattoo das antigas. Mas era realmente legal, tinha uns corações alados, umas frases, arabescos. Acha brega? Nessa fase todo mundo achava lindo e eu também. Depois do ritual de colar as tatuagens de papel, elas liam juntas algumas histórias engraçadas que chamavam de micos e mais uma seção que eu nunca podia chegar perto. E é claro que isso aumentava ainda mais a minha curiosidade, né? Ficava pensando sozinha e pensando em possibilidades, sempre querendo saber o que era aquilo ali que despertava tantas risadas e tardes inteiras de cochicho. Tudo por causa de uma revista. Depois de um tempo, pude ter acesso aquelas páginas recheadas de tudo quanto é conteúdo. Eu aprendi a ler. Pensa se eu gostei? Não, ainda não era a hora. Bastaram alguns anos de algumas publicações infantis e chegou aquele dia que depois de um almoço de domingo, fui até a banca com alguns reais, certamente algum troco da comida, e a capa me atraiu. As reportagens também. Comprei. Desde então, como se fosse um ritual, passei a comprar quinzenalmente.

Eu gostava do que era escrito ali, gostava das fotos, das matérias, das reportagens e de absolutamente cada pedacinho da publicação. Mais do que isso, tudo aquilo me inspirava a escrever, desenhar, recortar minhas citações e imagens preferidas, criar e imaginar. Defini minha futura profissão percebendo que era aquilo mesmo que eu curtia. O conjunto de tudo. Não entenda mal, eu também fui influenciada pelos livros. Mas a revista, sim, era meu ponto de ligação com o mundo e com o que estava acontecendo no momento atual. Os livros me levavam para longe, a revista me trazia para perto. Para o real. Um real que eu queria muito fazer parte (boba, eu já fazia!). Eu queria fazer comunicação, queria ser uma daquelas redatoras que falavam sobre coisas legais ou fazer alguma daquelas propagandas e chamadas criativas entre as matérias. A propaganda da sandálias que vinha com stickers, a propaganda do perfume que colava as páginas... Tudo isso despertava meu melhor lado e minha cabeça viajava em possibilidades. 

O tempo foi passando, a revista foi mudando e eu também fui mudando com ela. Eu queria sempre mais, então passei a comprar edições antigas, pré históricas, jurássicas! E, olha só o contraste, tão novinha cheguei até a colecionar, comprando as primeiras edições em que o gênero ainda era de fotonovela. Além de um passatempo, ainda funcionava como um artigo que era guardado com carinho em uma pilha enorme ao lado da escrivaninha. Não era aquela senhora decoração, mas eu achava tão legal e diferente... Se alguém viesse me visitar, sempre teria o que fazer, sempre teria alguma página ali para lermos juntos e termos uma nova ideia. Comer brigadeiro olhando as fotos antigas da Gisele Bundchen se inspirando nas poses para fazer fotos pessoais? Era com a gente mesmo! Na época, minhas amigas e eu estávamos na fase onde tudo virava foto para o orkut. Então foi nessa mesma finada rede social que eu pude ter um pouquinho de contato com aquelas pessoas por trás de todo aquele conteúdo. 

Na comunidade oficial, nós podíamos falar com eles, sugerir temas, participar de promoções e fazer novas amizades. Era como um clubinho, um lugar só entre nós em que eu sentia prazer de participar e fiz muitos amigos, conheci realmente muita gente por lá. Conheci a Bruna Vieira dessa forma. Na época, ela era uma menina que gostava de tirar fotos e postava nos tópicos daquela mesma comunidade o link para quem quisesse passar lá para dar uma olhada. A verdade? Além da Bruna também conheci um monte de pessoas bacanas por lá. Fernandas, Leandros, Alicias, Marcos e Nathalias. Gente que fazia parte do meu dia a dia mesmo que de longe e que gostava tanto daquelas páginas como eu. Depois, as coisas foram acontecendo e cheguei até a moderar a comunidade. Era algo simples? Era. Mas eu me sentia parte de um todo, sabe? Como se o fato de chegar da escola e limpar spams e organizar tópicos fosse a tarefa da minha vida, eu fazia tudo aquilo com o maior primor do mundo e com toda a dedicação necessária. Os meninos da escola zoavam, algumas pessoas diziam que era só uma revista fútil. Nunca liguei. 

Era algo importante pra mim e eu sinceramente não me importava se aquelas reportagens falando sobre roupas sapatos e beleza (também tinha muitos outros assuntos, viu?) podiam significar futilidade aos olhos de outros. É claro que a revista me mostrou bandas, filmes, livros, artistas, escritores, cronistas (eterna fã de Liliane e Antônio Prata) e produtos que ela achava que seriam legais pra mim. Também é óbvio que muitos deles eu conheci, gostei, fiz parte de uma maioria exaltada de fãs enlouquecidas e gastei dinheiro com isso. Mas sabe? A revista também me ensinou que eu tinha escolha própria, então por isso eu também sabia dizer não para o que não achava legal. A escolha sempre foi só minha e caso houvesse problemas, era só virar a página. A revista não era para esponjas, que absorvem tudo. Era para gente de verdade. Era pra mim.

O tempo passou. O orkut acabou e outras responsabilidades maiores na minha vida foram surgindo. Nunca parei de comprá-la, mas a vontade de passar numa faculdade e outros assuntos mais sérios comprometiam a maior parte do meu tempo. Até que, já há alguns anos sendo colaboradora no blog da Bruna Vieira e já tendo entrado para a faculdade de Publicidade e Propaganda, eu achei que seria o momento de criar um blog de verdade, só meu. Essa parte não é segredo algum, né? No ano passado ainda com meses de blog, fui indicada para o primeiro awards de novos blogs da revista e ganhei por unanimidade na categoria Melhor blog de Tendências. Recebi ligações de pessoas incríveis que trabalham lá e no mês de agosto pude ter o prazer de conhecer e conversar com todas elas. Senti a satisfação de estar fazendo o que eu gosto e ainda ganhar um troféu como incentivo para continuar nesse mesmo caminho. De verdade? O coração fica até quentinho de lembrar de cada um dos momentos que passei ao lado de tanta gente que sempre sonhei em conhecer. Foi um dos melhores dias da minha vida. 

Então agora, quase um ano depois desse momento, vivendo essa batalha diária que é fazer as coisas darem certo e colhendo frutos do meu esforço, vi a notícia que foi o grande motivo para escrever este post. A Revista Capricho, física, vai acabar. 

O choque passou, mas fica o sentimento de tristeza. Nada mais justo do que vir aqui falar a respeito disso. Muita gente diz que revistas reforçam estereótipos e que falam para as pessoas, nessa, mais especialmente as garotas, seguirem padrões e serem todas iguais. Não! Tudo aquilo sempre me incentivou a ser diferente. Me ajudou e ajudou muitas meninas, tenho certeza. Nos auxiliou a crescermos, aprendermos e escolhermos o que queríamos. Sempre passou a mensagem que podíamos fazer o que quisermos. Eu fiz o que eu quis. Eu tracei minha própria história e hoje tenho orgulho de ser protagonista dela. Muito disso eu devo a Revista Capricho, que além de me ensinar como fazer isso e me dar todo suporte e bagagem para tanto, ainda me abriu portas quando me deu o melhor feedback de todos, reconhecendo meu trabalho e apostando nele. Então é sem vergonha alguma e com um certo pesar que eu me despeço da versão impressa de uma das melhores amigas que eu pude ter. 

Por isso, termino dizendo duas pequenas palavrinhas que valem muito mais do que representam, já que a gratidão suficiente para algo que moldou minha história vale muito mais do que seis reais mensais dados ao dono da banca: Muito obrigada! 

E ah, não vou parar de acompanhar não, viu? Sua versão online vai ser ainda mais querida e mal posso esperar por edições especiais de você. Sempre vai fazer parte da minha vida.

comentários pelo facebook:

14 comentários:

  1. Nunca fui daquelas meninas que comprava todo mês a revista da Capricho, mas adorava entrar no site e fazer aqueles testes sabe? Infelizmente a tecnologia de hoje está tirando das pessoas a possibilidade de ler alguma coisa "ao vivo" eu diria.. noticia não se lê mais em jornal, revistas quase não existem mais apenas online.. É o mundo tá mudando. Vamos nos adaptar né gente, fazer o que.
    adorei o texto, beijos!

    http://nailpeliculas.blogspot.com.br/

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  2. Me senti totalmente representada no seu post! Eu cresci lendo a capricho e lia até hoje, tomei um susto quando descobri que iria acabar, no fundo eu ainda nutria o sonho de um dia aparecer de alguma forma naquelas páginas. Vai deixar saudade, deixou história e fez a diferença na vida de muitas meninas e meninos que como eu e você aprendeu a fazer as próprias escolhas e entendeu que a revista era uma ponte entre o mundo e a gente, em um tempo que a internet mal existia e o dia de ir na banca pegar a revista era aguardado com ansiedade.

    Beijos!

    Renata Arruda | www.feminilidades.com.br

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    1. Falou tudo, Renata! Mesmo quando já tinha internet, a ~verdade~ das coisas tavam todas lá na Revista. Esperava um dia apresentá-la para futuras filhas e coisa e tal. É uma pena :(

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  3. Ah vi isso no instagram deles e achei muito chato acabar com as versões impressas da Revista :(
    Vou sentir saudades dos Posters gigantes e outras coisas mais !
    É mais ainda nos resta as versões digitais !
    Ótimo texto Auana, ou desabafo !
    Beijos ♥ O Melhor de Mim

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  4. Adoreei o seu texto, realmente a capricho foi a minha adolescência, comprava e ficava lendo durante a aula! O horóscopo? Meu deus amava hahahaa

    Beijoos, Love is Colorful

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  5. Pois é... uma pena acabar. As revistas da Capricho fizeram presença em grande parte da minha adolescência... Tudo bem que ainda temos a digital... mas...
    Bjus e bjus^.^
    http://thathabulle.blogspot.com.br

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  6. A revista foi um dos motivos pelo qual comecei a gostar de moda quando novinha e depois fui até fazer a faculdade... acho uma pena que não tenha mais impresso, mas tudo bem, tecnologia! rs As coisas mudam/evoluem e é assim mesmo.


    vaieusa.com

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  7. eu sempre ameei as revista da capricho e quando eu tinha 15 anos minha tia sempre ia trabalhar e ela sempre comprava uma revista nova pra mim! e as revista fez parte da minha adolescencia! eu tb amava os testes e tudoo mais.. amei seu post e vc sabe amo seu blog tb hahaha

    http://alhinymello.blogspot.com.br/2015/06/meu-look-noite.html

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  8. Achei que fosse a única que já teve e achava o máximo ter uma pilha de revistas da Capricho no quarto haha. Seu post me representou um pouquinho também, no final, não importa quanto tempo passe, a tristeza do fim da 'Era Capricho' perdura.

    http://lagrimas-de-diamante.blogspot.com.br/

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  9. Não comprava todo mês a revista capricho, mas levei algumas vezes da banca. Eu adorava! (Risos)
    Da saudade, lembra a minha infância. Eu amava os posters que vinha junto.

    Adorei o post.

    www.bagagememaquiagem.blogspot.com.br

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  10. Como não pensar nas horas intermináveis na comunidade da "Capricho Oficial"? Como o tempo passa... Lembro de comprar a minha revista e já ficar na espera da próxima edição.

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  11. Como não pensar nas horas intermináveis na comunidade da "Capricho Oficial"? Como o tempo passa... Lembro de comprar a minha revista e já ficar na espera da próxima edição.

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  12. Como não pensar nas horas intermináveis na comunidade da "Capricho Oficial"? Como o tempo passa... Lembro de comprar a minha revista e já ficar na espera da próxima edição.

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